Startup paraibana lança a plataforma NeuroAtiva

Apenas 15,7% das escolas públicas brasileiras contam com psicólogos, segundo o Censo Escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Embora a Lei 13.935/2019 obrigue a presença desses profissionais na rede básica de ensino desde dezembro de 2020, o avanço é lento: no ritmo atual, o país levaria mais de 30 anos para cumprir integralmente o que a legislação determina. É nesse cenário que surge o NeuroAtiva, plataforma digital que apoia professores, psicólogos e gestores na identificação precoce de neurodivergências.
Voltada a adolescentes de 11 a 17 anos, a plataforma funciona em três módulos integrados. O primeiro oferece um jogo de autoconhecimento emocional para os próprios alunos. O segundo permite a triagem supervisionada por psicólogo, com instrumentos clinicamente validados (SDQ e SNAP-IV). O terceiro entrega ao professor uma ferramenta estruturada para registrar, ao longo do tempo, sinais que podem indicar TEA, TDAH, dislexia ou sofrimento emocional, ancorada no método PAIQUE. Quando os sinais convergem, o sistema sugere encaminhamento à Rede de Atenção Psicossocial do SUS (RAPS). Uma funcionalidade adicional, que já desperta interesse nas redes, permite gerar versões adaptadas de avaliações para diferentes perfis de aprendizagem, tornando a inclusão uma prática cotidiana.
O foco prioritário da iniciativa são as prefeituras, que respondem por centenas de escolas e enfrentam a escassez crônica de equipes multidisciplinares. “Quando uma prefeitura nos procura, ela não está buscando tecnologia, está buscando uma saída real para um problema que cresceu além da capacidade da rede. O NeuroAtiva chegou num momento em que as obrigações legais tornaram a omissão insustentável. O que a plataforma oferece não é um atalho, é uma forma organizada de começar, de mapear a realidade de cada escola e de construir processos que antes simplesmente não existiam”, explica Melissa Leão, sócia-diretora da Zênite Tech.
Ricardo Leão, também sócio-diretor da Zênite Tech, reforça a origem da solução. “Nós já trabalhávamos com diversas escolas, públicas e privadas, e percebemos uma mesma dor em todas: a obrigação legal de incluir, de ter profissionais dedicados, sem ter estrutura para isso. Apresentamos o NeuroAtiva na Bett 2026, em São Paulo, o maior evento de Inovação e Tecnologia para Educação da América Latina, no mês passado, e a receptividade foi grande. A tecnologia entra para apoiar o professor e o psicólogo, nunca para substituí-los”, ressaltou.
Max Alisson, pedagogo da equipe, complementa que “a demanda existe igualmente nas escolas estaduais, municipais e privadas, ou seja, é uma dor comum. A plataforma ajuda a adequar o ensino a cada perfil. A partir de uma mesma prova, por exemplo, ela apoia a geração de uma versão adaptada para a dificuldade de cada estudante. No fim, o que buscamos é inclusão de verdade”.
Para evitar interpretações equivocadas num tema sensível, a empresa é explícita sobre os limites da ferramenta. O NeuroAtiva não emite diagnóstico, apenas sinaliza padrões que merecem avaliação profissional. Não substitui psicólogo, professor ou equipe pedagógica. A triagem do Módulo 2 só ocorre sob supervisão de psicólogo com registro ativo no CRP. E a plataforma opera em conformidade integral com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sem coleta de biometria.
A plataforma digital de inteligência artificial em português foi desenvolvida pela Zênite Tech, empresa paraibana sediada em João Pessoa, em cooperação técnica com o LASER/UFPB e o NUTES/UEPB (Unidade EMBRAPII).