Finalista do Prêmio Consciência Ambiental

A Paraíba passou a integrar o seleto grupo de finalistas do Prêmio Consciência Ambiental/Immensità, uma das principais iniciativas nacionais voltadas ao reconhecimento de projetos de impacto socioambiental em diferentes regiões do país. O projeto “Sustentabilidade Ambiental para o Desenvolvimento Turístico na Mata Sul de João Pessoa, na Paraíba”, desenvolvido pelo Espaço Ecológico e apoiado pela NHolanda Construtora e Incorporadora, foi selecionado entre os três melhores do país e terá sua colocação final anunciada no próximo dia 2 de junho, durante cerimônia em São Paulo.
Desenvolvida na região da Mata Sul da capital paraibana, a iniciativa propõe um modelo de recuperação ambiental integrado à valorização territorial e ao desenvolvimento sustentável. Implantado em uma área aproximada de cinco hectares às margens da PB-008, o projeto reúne o cultivo de espécies nativas, frutíferas, melíferas e medicinais, além da implantação de domos geodésicos (estruturas em formato semiesférico utilizadas como estufas e laboratórios de mudas) e da criação de corredores ecológicos voltados à regeneração da vegetação e recuperação do solo.
A área implantada funciona como um laboratório ecológico experimental voltado à produção de mudas, recuperação de espécies nativas e desenvolvimento de soluções ambientais aplicáveis a futuros projetos urbanísticos na região da Penha. A proposta prevê que parte da vegetação cultivada possa futuramente contribuir para processos de recomposição ambiental e qualificação paisagística em áreas integradas aos empreendimentos planejados para o entorno, criando uma base permanente de estudos e regeneração territorial.
A proposta nasceu a partir das observações acumuladas pelo Espaço Ecológico, plataforma paraibana dedicada há mais de duas décadas à cobertura de pautas ambientais por meio de revista, rádio e portal especializados. Segundo Gualberto Santana, diretor da instituição, o avanço urbano no litoral sul de João Pessoa motivou a criação de um projeto capaz de estimular uma discussão mais ampla sobre desenvolvimento sustentável e preservação.
“O desenvolvimento é importante, mas a preservação ambiental também é. E isso é plenamente possível, desde que exista planejamento e sensibilidade sobre aquilo que se pretende construir”, afirma.
A partir dessa percepção, o Espaço Ecológico estruturou o projeto sob consultoria do professor Emmanuel Fernandes Falcão, mestre em Educação e coordenador da Educação Popular da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), responsável pela orientação pedagógica e técnica da iniciativa. O projeto foi posteriormente apresentado à NHolanda Construtora, que assumiu o custeio integral das ações implantadas entre junho e dezembro de 2025.
Para o professor Falcão, o principal diferencial da iniciativa está na tentativa de construir uma relação mais equilibrada entre desenvolvimento urbano, preservação ambiental e integração comunitária.
“Não sou contra o desenvolvimento. Ao contrário. Mas é necessário preservar o mínimo de ambiência e de equilíbrio ambiental. O litoral sul vive um momento importante de crescimento, e iniciativas como essa mostram que é possível conciliar ocupação e conservação”, destaca o professor Falcão.
A proposta pedagógica desenvolvida por Falcão teve como eixo central o conceito de “quintais produtivos”, metodologia já aplicada pelo professor em assentamentos rurais da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O modelo combina recuperação ambiental, cultivo de espécies produtivas e recomposição ecológica, integrando vegetação nativa da Mata Atlântica, árvores frutíferas e atração gradual da fauna silvestre.
“O projeto procurou mostrar que as áreas podem manter vegetação nativa, corredores ecológicos e espécies produtivas ao mesmo tempo. É uma leitura ambiental que ajuda a restaurar solo, água, vegetação e biodiversidade sem inviabilizar o desenvolvimento”, explica o especialista.
Ao longo de seis meses, foram implantadas espécies voltadas à recuperação do ecossistema e à formação de corredores ecológicos. Entre os resultados já observados estão o fortalecimento da vegetação, a melhoria do solo e o retorno gradual de pássaros e animais silvestres à área. O projeto prevê, por exemplo, o plantio de mil pés de açaí, além de mudas de bananeiras, aceroleiras, laranjeiras e outras espécies nativas da região.
“Foi um trabalho pensado para recompor a vegetação, fortalecer o solo e criar condições para o retorno gradual da fauna. Tudo integrado ao equilíbrio ecológico da área”, afirma Gualberto Santana.
Além da recuperação ambiental, a iniciativa também incorporou ações de educação ecológica e extensão universitária, recebendo estudantes e promovendo visitas técnicas ao longo da implantação do projeto. O espaço passou a funcionar também como uma espécie de “sala de aula viva”, utilizada para observação prática dos processos de regeneração ambiental e cultivo integrado.
Para Alisson Holanda, CEO da NHolanda Construtora e presidente do Instituto Ranking PB, o reconhecimento nacional da iniciativa reforça a importância de ampliar a discussão sobre desenvolvimento sustentável em áreas de expansão na capital paraibana.
“O crescimento das cidades precisa dialogar com preservação, pertencimento e responsabilidade territorial. Projetos como esse demonstram que desenvolvimento e conservação ambiental não são agendas opostas, mas complementares”, afirma o executivo.
Segundo ele, a iniciativa também foi concebida como uma base permanente de estudos ambientais e produção ecológica voltada ao desenvolvimento sustentável da região: “A ideia é que essa estrutura funcione como um espaço contínuo de pesquisa, produção de mudas e recuperação ambiental, contribuindo inclusive para futuras ações de recomposição vegetal e qualificação paisagística dentro dos próprios projetos desenvolvidos naquela área da Mata Sul”, acrescenta.
Alisson Holanda destaca ainda que o apoio ao projeto está alinhado a uma visão empresarial de longo prazo sobre o futuro urbano e ambiental de João Pessoa: “A Mata Sul possui um valor ambiental, histórico e paisagístico muito relevante para a cidade. Apoiar iniciativas que contribuam para preservar esse território também significa pensar qualidade de vida, equilíbrio urbano e sustentabilidade de forma mais ampla”, afirma.
A indicação ao prêmio ocorre em um momento de crescente valorização do litoral sul da capital paraibana, impulsionado pela expansão do Polo Turístico Cabo Branco e pelo avanço de novos projetos imobiliários e turísticos na região. Nesse contexto, o projeto passou a ser observado como uma experiência prática de integração entre regeneração ambiental, educação e desenvolvimento sustentável do território.
Para o professor Falcão, o reconhecimento nacional também ajuda a fortalecer a percepção de que o setor privado pode exercer um papel relevante na preservação ambiental quando existe compromisso com planejamento e responsabilidade territorial: “Quando um projeto financiado por uma empresa da própria região recebe esse tipo de reconhecimento, ele ajuda a mostrar que é possível existir um empresariado comprometido não apenas com crescimento econômico, mas também com preservação ambiental e responsabilidade social”, observa.
Gualberto Santana avalia que a repercussão nacional da premiação pode ampliar o debate sobre conservação ambiental no litoral sul de João Pessoa e estimular novas iniciativas de recuperação territorial na região: “Esperamos que esse projeto sirva de modelo para empresas, setor público e comunidade compreenderem que desenvolvimento sustentável não é discurso, é planejamento. A preservação ambiental precisa caminhar junto com o futuro que queremos construir para a cidade”, conclui.