Super El Niño histórico ameaça fauna em MS

Enquanto Mato Grosso do Sul se prepara para tempestades extremas e calor recorde, a ONG Refúgio São Pedro, criada por Celina von Mässenberg, intensifica ações contra as ameaças climáticas.
O trimestre entre setembro e novembro de 2026 deve ser um dos períodos mais desafiadores para a biodiversidade de Mato Grosso do Sul. Com o Super El Niño atingindo o pico de intensidade no Oceano Pacífico, órgãos como o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) e o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) alertam para tempestades severas, chuvas acima da média histórica e ondas de calor recordes na região.
Se por um lado o excesso de chuva reduz os incêndios florestais nos biomas Pantanal e Cerrado, por outro, gera novos problemas ecológicos. A situação pede um trabalho de organizações não governamentais a linha de defesa para a fauna local.
À frente desse movimento está a estudante Celina von Mässenberg, anteriormente conhecida como Celina Mariani, que fundou aos 13 anos a ONG (Organização não governamental), Refúgio São Pedro, dedicada ao cuidado e à reabilitação de espécies nativas. Recentemente, Celina passou a adotar publicamente o sobrenome von Mässenberg, de origem familiar, em homenagem e resgate de sua história e tradição familiar.
Em parceria com a Polícia Ambiental Brasileira, a instituição resgata animais vítimas de queimadas no Pantanal para recuperá-los e devolvê-los à natureza. O projeto opera em uma Área de Preservação Permanente (APP) no cerrado sul-mato-grossense, onde os animais vivem livres e são monitorados por armadilhas fotográficas.
Os impactos do clima na fauna
Especialistas apontam que chuvas concentradas causam inundações repentinas que destroem ninhos e desalojam espécies terrestres e pequenos mamíferos. Além disso, as altas temperaturas registradas entre as tempestades provocam estresse térmico e desidratação na mata.
O deslocamento forçado dos animais em busca de abrigo e alimento também eleva o risco de atropelamentos em rodovias do estado e de incidentes em áreas urbanas, o que aumenta a demanda sobre os centros de triagem.
A atuação de Celina, hoje com 17 anos, reflete a urgência com que as novas gerações encaram a agenda climática. “A crise climática está acontecendo agora, na nossa frente. Criar a ONG foi a forma que encontrei de não ficar de braços cruzados vendo os animais sofrerem com esses extremos do tempo, até porque eles não têm como pedir ajuda. Proteger a nossa fauna é uma obrigação de todas as gerações”, define a estudante e idealizadora da ONG.